jeudi 27 décembre 2007

A vergonha da França! La honte!




Ontem mesmo, escrevi dizendo que a França não é o paraiso, mas por aqui alguns ainda têm vergonha na cara! Infelizmente os representantes oficiais do povo nem sempre...
Quando os que governam perdem a vergonha os governados perdem o respeito. Essa é mais ou menos a frase dita por Lucila, personagem de Bibi Ferreira, na peça As favas com os escrupulos de Juca de Oliveira. Podemos aplica-la ao caso francês, um presidente da republica de uma das maiores potências o mundo não pode misturar vida privada e seu cargo de presidente. Não pode querer ir visitar o Papa acompanhado da "amante", o Vaticano diga-se de passagem enviou comunicado à França dizendo que a presença de Carla Bruni não seria permitida...Nem pode misturar férias no Egito com visita oficial. Ou risca de igualar a França as diversas republicas de bananas que conhecemos tão bem...
Vejam, em tradução livre - e sem muita atenção - um artigo que li no site Rue89 que diz um pouco da vergonha que muitos franceses estão sentindo diante dessa ofensa à Republica:

Bruni, Sarkozy e a confusão do dois "corpos do rei" Por Jean Matouk (Economista) 10H43 24/12/2007

Além do riso, a vergonha! Um sentimento que muitos julgarão ultrapassado, mas a minha primeira reação à notícia da ligação de Nicolas Sarkozy e da top model Carla Bruni foi a vergonha. A vergonha de ser hoje um cidadão francês representado no exterior por Nicolas Sarkozy.
Imediatamente me veio ao espírito a distinção do historiador Kantorowivz entre o dois "corpos do rei"; o corpo sacerdotal, pelo qual encarna a coletividade, e o corpo real, o que come, bebe, gosta. A distinção é aplicável evidentemente também aos presidentes e chefes de governo e, mais ainda, Nicolas Sarkozy, que pretende reforçar os poderes presidenciais.
Como sublinha Régis Debray no seu recente "Obscenidade democrática », é necessário ao alto escalão do Estado, ao Príncipe, um certo aparato, uma certa solenidade, o respeito a certos rituais. Mesmo se, felizmente, não é mais por direito divino, ele participa do "bouclage" da sociedade acima dela própria, sem o qual ela se degrada ; é o papel do "corpo sacerdotal" do rei. Bernard Henri-Levy observava recentemente: todos os antecessores de Nicolas Sarkozy mantinham uma distinção clara entre o primeiro e o segundo "corpo", de modo que a majestade do primeiro não seja atingida pelos eventuais desvios, em todo caso, o caráter comum do segundo.
Muito se falou sobre os desvios de Jacques Chirac e Valéry Giscard de Estaing. A França soube no fim segundo mandato de sete anos da dupla vida de François Mitterrand e a sua filha escondida. Mas sabiam, uns e outros, manter a distância que é necessária entre a sua vida privada e o seu papel simbólico. Com o atual presidente, o dois "corpos do rei" tornam-se indistintos.
O povo participa do corpo real. Vive, ao vivo, as brigas de família e as separações. Eis agora que vive, também ao vivo, a exibição do Príncipe com uma nova companheira. Para quando está previsto o sexo ao vivo ? Ainda, se esta foto tivesse sido revelada por indiscrição de um jornalista, ou por uma fotografia roubada nas entradas de serviço do Elysée, ou num outro palácio da República ou num hotel. Mas foi na Disneylândia que o Presidente organizou claramente a divulgação, ao lado de Mickey, de Minie e Popeye, que não têm nada vulgar em si, mas que, mesmo sem ter nada a ver com as escapadas presidenciais, contribuem, independente de sua vontade, a ridicularizar mais ainda o corpo sacerdotal.
Muitos afirmam que era necessário fazer algo para esquecer as honras escandalosamente atribuídas à Khadafi, por um outro acontecimento mediático. Insucesso! Os dois acontecimentos mediáticos reforçam-se e completam-se na infração levada à majestade da República. Decididamente, hoje, preferiria ser espanhol, alemão, inglês, e mesmo americano, que francês.

Jean Matouk (economista dia 24/1/2007)

http://www.rue89.com/2007/12/24/bruni-sarkozy-et-la-confusion-des-deux-corps-du-roi

mercredi 26 décembre 2007

Abaixo a incompetência ! Viva a eficência ! Vive la France !



Preciso contar a vocês o que me aconteceu. Embora tenha morado na França como estudante e bolsista do governo brasileiro, portanto sem obrigação de declarar meus rendimentos, pois existe um acordo França x Brasil que prevê que os estudantes bolsistas de ambos os países são dispensados de pagar imposto de renda (sur le revenu como dizemos por aqui !), desde que cheguei, tentando ser realmente uma moradora – em Roma como os romanos é o meu lema ! – decidi que declararia anualmente meu imposto de renda e o fazia aqui e no Brasil, onde os bolsistas fazem a declaração de isento. Ao receber pelo correio minha declaração me sentia mais cidadã francesa ainda que sem gozar da cidadania oficial.
Durante os quatro anos em que fui bolsista não trabalhei. Mas ao final da bolsa, obviamente, procurei um emprego legal, e como estudante tinha direito a ser trabalhadora declarada por no máximo 20 horas de trabalho por semana. Foi o que fiz. Trabalhei 10 meses. O suficiente para entender que doutorado e redação de uma tese – se fôr em língua estrangeira a coisa complica ! – são incompatíveis com qualquer atividade profissional, palmas para os que conseguem concluir um doutorado trabalhando. Ao encerrar meu contrato de CDD – contrato com duração determinada – recebi todos os meus direitos e mesmo um plus pelo fato de que a partir dali estaria desempregada, mesmo isso sendo uma opção minha pois poderia ter renovado o contrato. Os valores recebidos me isentavam de pagar imposto de renda.
Voltei ao Brasil, e em março/abril recebi minha declaração de imposto de renda relativa ao ano de 2006 para fazer. Fiz. Comuniquei que estava de volta ao Brasil e achei que seria um capítulo encerrado. Bobagem…em agosto de 2007 recebo um cheque de 333 euros, cerca de 870 reais, do Tesouro Público. Por quê ? «Une prime pour l’emploi». Em português isso é um incentivo recebido a título de ajuda pela volta ao trabalho ou a continuação de uma atividade profissional, calculado sobre os rendimentos da atividade exercida. É atribuída em Setembro de 2007 às pessoas que exerceram em 2006 uma atividade profissional assalariada ou não assalariada, domiciliadas na França e cujo rendimentos não excedam certos limites.
Fiquei surpresa e contente com o cheque…quem é que não gosta de receber um dinheirinho a mais e acima de tudo quando nem passava pela cabeça da gente recebê-lo ???
Com o meu cheque no bolso descobri que não poderia recebê-lo pois não tenho mais conta bancária na França. Telefono para a agência do Trésor public que emitiu o cheque e sou informada que posso recebê-lo em qualquer tesouraria do Trésor public. Procuro a que fica mais perto aqui de casa e vou até a praça da Nation. Nem tudo é simples na dministração pública, francesa, portuguesa ou brasileira, a burocracia impera…mas educação e simpatia amenizam a chatice.
Um funcionário eficiente e simpático tenta me ajudar mas sua chefe o impede de ser gentil e proíbe o pagamento. Só pode ser feito através de conta bancária, desnecessário explicar a essa Madame que não a possuo mais, que não moro mais na França há dez meses, que para ter conta bancária aqui é preciso morar no país, etc…mas o gentil rapaz me dá a dica, com direito a cópia de um mapinha de como chegar a rue Rambuteau, que eu conheço bem mas ele não sabia disso, e me informa que lá eles me pagariam na hora. Agradeço a gentileza, digo adeus e vou me embora…
Chego ao Trésor public, da rua Rambuteau, duas sorridentes atendentes no guichet de informação me encaminham imediatamente para uma outra moça, não há filas, tudo calmo e tranquilo, a moça pede uma «pièce d’identité» apresento meu passaporte e ela ri ao ler meu nome, e me diz sorridente, «mon deuxième prénom est Deolinda», descobrimos nossas origens portuguesas, nome herdado de avó paterna nos dois casos…ela prepara os papéis enquanto conversamos e me envia ao caixa não sem antes de me dizer «obrigada» mesmo confessando que é a única palavra que conhece do português, «meu pai achou que poderia misturar as duas línguas e nunca me ensinou o português, hélas !». Vou ao caixa, recebo meu dinheirinho, e saio feliz…não ganhei na loto mas dá um prazer danado ver a eficiência desse país, não a França não é a oitava maravilha do mundo, vivi coisas aqui como estrangeira lamentáveis, mas vale lembrar que nos postos onde tiramos os papéis como a Carte de séjour, somos atendidos por «estrangeiros», tão «estrangeiros» quanto nós, ainda que nascidos aqui, mas na maioria oriundos das antigas colônias francesas, portanto eternamente estrangeiros, para mim que nasceu na Argélia argelino é, por mais que quando do seu nascimento a Argélia pertencesse à França,porque ela pode até ter sido propriedade da França mas NUNCA foi França e muito menos francesa…assim como o Brasil nunca foi português e muito menos Portugal...foi propriedade de Portugal e ai mora a diferença que talvez explique toda essa lenga-lenga entre colonizados e colonizadores…
Saio imaginando como seria no Brasil. Quando daremos uma "prime pour l'emploi" aos nossos trabalhadores? Quando daremos aos nossos trabalhadores estrangeiros o mesmo direito? Mas fico imaginando mesmo é qualquer ministério do Brasil mandar um cheque para um estrangeiro que ja tenha retornado ao seu pais...acho que para ver isso vou precisar nascer de novo e confesso que se puder nascer de novo não sera no Brasil, mas na França e em Paris...se alguém souber de algum pagamento do Brasil a um ex-morador estrangeiro, por favor, conte-me a historia...
Na foto o ministério do Budget, des Comptes publics et de la Fonction publique, ministério responsável pelo orçamento e pelas contas do Estado bem como pela modernização dos serviços públicos, criado em 18 de maio de 2007 a partir do antigo ministério de Economia, finanças e indústria, mais conhecido como Bercy, numa alusão ao bairro onde está instalada sua sede, esse prédio imenso às margens do Sena que fica a dois passos da minha casa.

Bûche de Noël???




Para quem, como eu, adora uma tradição e um ritual : a tradição das « bûches de Noël » remonta ao século XII e existia na maioria dos países europeus, principalmente na França e na Itália e era costume na véspera de Natal queimar na lareira da sala um tronco de árvore bem grande que deveria queimar lentamente. Escolhia-se de preferência um tronco de árvore frutífera para garantir uma boa colheita no ano seguinte. No momento de acender o tronco devia-se abençoá-lo com um ramo de buxo ou de louro, guardado desde a festa de Ramos. Enquanto se queimava o tronco ele poderia ser salpicado de vinho para garantir a próxima colheita ou de sal para proteger a todos das bruxas. A sobremesa nasceu com o fim das grandes lareiras nofinal do século XIX. Alguns evocam a criação por um "pâtissier" em 1945 mas o bolo enrolado de Natal já era tradicional, pelo menos na região Poitou-Charentes, desde o século X. A tradição quer que uma « bûche » de Natal seja feita à base de nata e de manteiga, mas há vários anos alguns a preferem feita com sorvete. Os sabores principais de uma « bûche de Noël » passam pela baunilha, praliné, Grand Marnier, café e chocolate. Devendo a decoração ser feita com elementos da época. A nossa foi mais chic, até para as «bûches» o melhor é escolhar as que têm «griffe», a nossa foi uma chamada Carrement chocolat da Maison Pierre Hermé, um «chocolatier» e «pâtissier» categoria luxo. A loja dele na rua Bonaparte, no VIème é puro luxo. No dia de Natal para atender a clientela ele monta uma enorme tenda, ao lado de caminhões refrigerados, na boca do metrô Pasteur. A espera de pouco mais de cinco minutos pode ser feita com uma degustação dos chocolates Pierre Hermé que o mestre gentilmente oferece…O preço ? Absurdamente caro ? Não…Uma «bûche» para quatro/seis pessoas custa 35 euros…90 reais…Detalhe: é para comer rezando…
Os detalhes desse post eu tirei de um artigo da Wikipédia, l'encyclopédie libre e vamos dar o crédito a quem de direito.Caso queiram visitar as boutiques do Pierre Hermé, uma visita ao site http://www.pierreherme.fr é de dar agua na boca...

lundi 24 décembre 2007

As luzes da eterna Cidade Luz, verdadeira vitrine







Um pouco das luzes de Paris para iluminar o Natal de vocês...De baixo para cima: La Madeleine, uma igreja que eu amo, paradoxo dos paradoxos, Jesus amava os pobres mas a Madeleine esta plantada ao lado dos ricos, as grandes marcas estão em torno desse cartão postal, sem falar nos dois templos da gula, Fauchon e Hediard.

Depois a praça Victor Hugo no XVIème arrondissement, não o mais caro, esse é o VIème, mas um dos mais chics arrondissements de Paris...

Na sequência o Rond-Point do Champs-Elysées...dois teatros por ali, o Rond Point, antigo rinque de patinação e sede da companhia Renaud-Barrault, de Madeleine Renaud e Jean-Louis Barrault, muito teatro dos bons se fez por ali...hoje Jean-Michel Ribes se esforça para manter o nivel...do outro lado o Théâtre de Marigny, teatro comercialissimo nas mãos de Robert Hossein, meio decadente, assisti com meu amigo Macksen Luiz, ha alguns anos, uma mise en scène do Roman Polanski para a Hedda Gabler, do Ibsen, com a mulher do Polanski, Emmanuelle Seigner fazendo a Nora, era de matar...Polanski é cineasta dos grandes mas de teatro não entende lhufas...

Subindo rumo ao Arco do Triunfo esse monumento que é a avenida do Champs-Elysées, dizem os parisienses que hoje so que anda pelo Champs-Elysées são os turistas e os "banlieuesards", ou seja os suburbanos, confesso que procuro anter em mim essa chama do turista quando se refere ao Champs-Elysées ja que suburbana nunca fui, nem aqui, nem ai...

No topo do post o Viaduc des Arts, aqui ao lado de casa, encostado na Gare de Lyon, quartier do meu mestre Jean-Pierre Ryngaert...

Por hoje é so galerinha! Joyeux Noël encore une fois...

Presente de Natal?



Meus queridos, minhas queridas

Quem precisa de presente de Natal quando tem a chance de passar Natal em Paris? Ontem, batendo perna no Champs-Elysées (junta-se tudo e não se pronuncia o P, coisa que os brasileiros insistem em fazer e que machuca o ouvido alheio!)e depois sentada para um chocolate quente no Ladurée pensei comigo, tenho mais é que agradecer a Deus todos os dias, Paris é a cidade mais visitada do mundo, o mundo quer vir para Paris e eu transito por aqui ha anos, tendo mesmo morado aqui cinco anos e meio e um dia voltarei para morar mais um pouquinho e com um pouco de sorte mais um poucão...o maior presente que eu poderia querer era passar o Natal aqui, com quem eu amo, na cidade que escolhi pra mim, e batendo perna na avenida mais bonita do mundo...
Para todos vocês desejo apenas a mesma felicidade que sinto por estar em Paris...Joyeux Noël!!!

vendredi 21 décembre 2007

Gula é pecado? Sou uma pecadora...




Adoro foie gras, de ganso mais do que de pato...e nessa época em que o frio bate os dois graus negativos, as festas de final de ano se aproximam, um vinho do Porto em aperitivo e depois une tranche de foie gras com umas torradinhas é a sintese do paraiso...VIve la France!!! Maior produtora de foie gras do mundo...

Eu vou, eu vou, pra escola agora eu, paratchibum, paratchibum...














Preciso escrever com calma sobre esse caminho maravilhoso que faço para chegar ao INHA onde assisto pela quinta vez as aulas do curso de Emmanuel Wallon, mas isso é uma longa conversa...deixo aqui o aperitivo e qualquer hora dessas com mais tempo venho vos apresentar o prato principal.

Grands boulevards, grands magasins, tudo é grande aqui!!!





De vez em quando adoro fazer a turista...E adoro bater perna nas lojas. Nos grands magasins como eles dizem por aqui, que isso aqui é coisa chic, shopping é coisa de pobre ou novo rico. Não existe um unico shopping estilo americano dentro de Paris. Entre os grands magasins, meu preferido sempre foi Le Bon Marché, mas entre o Printemps e o Galeries, sempre preferi o Galeries, mais popular e mais turístico. Até descobrir o Printemps e confesso que « mudei todinha »…
Fui almoçar ontem, na Brasserie Printemps, no 6° andar do magazine do boulevard Haussaman, um lugar à la fois moderno, caloroso e luxuoso para uma refeição agradável. A Cúpula do Printemps está entre as obras de arquitetura e decoração tombadas em Paris. Ela foi criada em 1923 pelo mestre nas artes do vidros Brière, tem vinte metros de diâmetro, 16 metros de altura, 3185 panneaux de vidro e sob ela se esconde há pouco mais de um ano uma brasserie tipicamente parisiense, numa homenagem a Paris, capital mundial da moda e da gastronomia, mas também um presente para os turistas franceses e estrangeiros. Detalhe : o espaço em volta do bar foi concebido como um ponto VIP com sofás em couro branco compondo o ambiente junto as poltronas estilo Louis XVI desenhadas por Philippe Starck e Kartell. E a comida é uma delícia, os garçons e as garçonetes a mais pura gentileza e simpatia, e o preço cabe no bolso de um turista médio…Olhem a minha sobremesa, um coisa de louco de tão boa...

A cidade do luxo, do requinte e do bom gosto










Em 1893, Théophile Bader e Alphonse Kahn, dois primos criam Les Galeries Lafayette na esquina da rua La Fayette com rua Chaussée d'Antin, mais de 40 anos após a criação do Le Bon Marché (1848 e o primeiro dos grands magasins). Por sua situação, junto à Ópera de Paris, aos Grands boulevards e a estação de Saint-Lazare a clientela se estabelece bem depressa composta em grande parte pela grande burguesia. Em 1912 o atual magazine é inaugurado, com 5 andares, 96 rayons, um salão de chá, uma biblioteca e um salão de beleza. Detalhe : uma grande cúpula inspirada pelo estilo bizantino com 33 metros de altura, ainda hoje uma atração da casa. No alto um terraço que permite descobrir os telhados de Paris. Lugar onde tudo é feito para atrair o cliente, até Edith Piaf cantou ali em 1950, auge do seu sucesso.
Os maiores compradores hoje são os chineses, a verdadeira invasão amarela, na frente dos americanos e dos japoneses, e entre os artigos que eles preferem estão os perfumes e tudo o que diz respeito ao luxo e ao savoir-faire dos franceses. As Galeries Lafayette recebem cerca de 100.000 pessoas por dia e nessa época de festas de fim de ano parece umformigueiro, a evitar…mas as vitirines merecem uma visita…

mercredi 19 décembre 2007

Eu amo essa cidade!!!







Meus caros, por mais que eu tente, escrever todos os dias c'est impossible...Paris não nos deixa com tempo para nada, a não ser para curti-la comme il faut, e estou naquela fase de namorada apaixonada que tudo o que quer é redescobrir as coisas boas da cidade. Além disso a programação cultural de Paris é uma ofensa ao resto das cidades, quando se mora em Santos então nem se fale...resultado quero ver tudo, beber direto na fonte para alimentar minh'alma...Revejo meus amigos, franceses ça va sans dire, os brasileiros estão no Brasil e rezo para que alguns deles pintem por aqui assim teria com quem dividir essa minha Paris amada. Se eu tivesse muita grana faria uma excursão para os meus amigos que não conhecem Paris e para os que conhecem que serviriam de guia, assim eles compreenderiam a minha paixão por esta terra! Aqui respira-se cultura mas existem os que preferem respirar outra coisa...mas pra isso não precisa estar em Paris, Miami estaria de bom tamanho.Não critico ninguém, critico tudo na verdade, mas acho um desperdicio vir para Paris para falar português, beber até cair, fazer farra e andar com brasileiros que aqui moram, não por opção mas por falta de opção no Brasil...
Nas fotos começamos pelo Bercy Village, um antigo entreposto de vinho, de onde saia o vinho francês pelo Sena rumo ao mundo...Hoje é um simpatico shopping à ceu aberto, com restaurantes bem bons, com lojas como Agnès B.por exemplo, a tentação de uma amiga minha, e um complexo de cerca de 30 salas de cinema, detalhe: fica a dez minutos à pé da minha casa, o que me permite decidir ir ao cinema em cima da hora e sempre achar um filme e uma sessão que esteja começando a qualquer momento do dia, por vezes me engano como domingo, quando fui ver I'am here, dizem que é inspirado no Bob Dylan, nunca fui fã dele, agora então esta fora de qualquer cogitação, o cara é um mala...d'après le film...
Na outra foto a moda de inverno parisiense...minhas duas amigas, uma strasbourgeoise e outra parisiense, ambas figuras cultas, intelectualmente brilhantes, profissionalmente bem sucedidas, adotando a moda de inverno...so o olho à vista! Com -2° de temepratura! J'adore!!!
Na sequência a foto do programa de La seconde surprise de l'amour, um Marivaux autêntico dirigido por Luc Bondy, e tema da minha coluna no Terra Magazine de depois de amanhã, não percam...a atriz da foto chama-se Cotildes Hesme, além de bela é uma excelente atriz, faz cinema também e quando derem de cara com esse nome pensem que eu disse a vocês que ela é o maximo...
Por fim, euzinha dando pinta na Place de la Bastille, na porta do Opéra Bastille - em francês opera é uma palavra masculina e se acentua no e e em português no o, sem acento aqui porque meu teclado não fala português embora eu o obrigue...A Bastille é um lugar encantador, historicamente nem se fala, quem me dera no Brasil a gente também pudesse botar a Bastille abaixo, os franceses mais safos e mais espertos, fizeram isso ha 218 anos, em 1789...talvez daqui a 1282 anos possamos fazer igual...Hoje a Place de la Bastille é um lugar delicioso para um café no Café des Phares, no Falstaff ou para começar a noite no Opéra...ou para comprar uns discos na FNAC Musique, ao lado da Opéra...o freguês decide...
Hoje à noite vou ao Théâtre du Châtelet, na praça do mesmo nome, às margens do Sena, assistir West side story, em homenagem a Djenane Machado, minha amiga e companheira de tantos e tantos anos, quantas vezes ouvi com ela esse disco, ainda nos velhos tempos do vinil??? Depois conto pra vocês, mas pelo que li na presse - com e mesmo porque é em francês!!! - é deslumbrante, essa montagem comemora os 50 anos de West ide story que estreou em setembro de 1957 nos States...
Beijos parisienses aquecidos e até amanhã ou depois...

samedi 15 décembre 2007

Para os que gostam de teatro...












As fotos (de baixo para cima) mostram a entrada de Merce Cunningham ao palco do Théâtre de la Ville no fim da apresentação de sua companhia de dança, aos 88 anos ele ainda é considerado o Senhor das Sapatilhas...Depois a foto do diretor polonês Krzysztof Warlikowski, que aos 45 anos é hoje um dos grandes nomes das artes cênicas na Europa, sua montagem de Krum, de Hanokh Levin é, talvez, o melhor espetaculo em cena hoje em Paris...mas acaba amanhã, quem viu, viu quem não viu deve rezar para ver um dia...ou contente-se com a foto de divulgação feitas por Isabelle Meister. As fotos dispostas mais acima são do Théâtre des Abbesses, verdadeira pérola encravada nas colinas de Montmartre, um dos meus bairros preferidos, encore et toujours...
Em compensação Le retour à la citadelle de Jean-Luc Lagarce, é um pouco decepcionante, chato mesmo...e para quem quer saber um pouco mais sobre os três espetaculos sugiro uma visita à minha coluna no Terra Magazine...

http://terramagazine.terra.com.br/interna/0,,OI2152254-EI6581,00.html

lundi 10 décembre 2007

De volta a Paris!

Queridas e queridos, ça y est je suis à Paris! E a cidade continua linda...e a minha casa esta ainda mais bonita, e o Théâtre du Soleil tem reestréia de Les éphémères prevista para o dia 27 de fevereiro e essa semana eles partem todos para Taiwan e ontem eu fui ao Théâtre de la Ville, na Place du Châtelet, assistir a Merce Cunningham Dance Compagnie, eu que nunca fui muito chegada a dança contemporânea, alemã e americana então nem pensar, cedi aos desejos de Irène e quase morri de tédio e sentir tédio em Paris é algo que abomino...três peças dançadas CRWDSPCR criada em 1993, Crises, criada em 1960 que me deu a certeza de que o hoj velhinho Cunningham foi sempre chato, e a criação mais recente do Mr. Cunningham, eyeSpace...para quem gosta deve ter sido um prato cheio...uma hora e meia durante a qual o grande momento foi quando as 999 pessoas, ha mil lugares no teatro, ligaram os iPod emprestados pelo teatro para assistir a eyeSpace, pois a grande proposta do coreografo era cada um escolher a trilha sonora do espetaculo criado por ele...um must, coisa de americano...mas enfim estou em Paris e nada me abala, nem chateia, nem a presença do Khadafi, nem o Sarko presidente...Paris é muito mais que tudo isso...hoje sem foto que ainda não tive tempo de armar o circo mas a partir de amanhã rendez-vous por aqui todos os dias...espero eu!
Beijos parisienses, faz frio, chove e o céu é cinza, e estou feliz como pinto no lixo, vou pra rua daqui a pouco, aqui são dez horas e vinte e sete minutos...