jeudi 15 novembre 2007

Béatrice, uma presença especial...


Por motivos diversos ela não integrou a minha banca, seria a única mulher, mas ela foi lá me prestigiar, e que prestígio, “ela” é nada mais, nada menos que a Profa. Dra. Béatrice Picon-Vallin, chercheur au CNRS, especialista em Meyerhold e teatro russo, grande amiga do Théâtre du Soleil, diria sem susto, que na universidade francesa é a pessoa mais próxima de Ariane...

E a minha banca gente???



Dia 25 de janeiro de 2007, às 14h, na Salle Bourjac, “en Sorbonne” eu defendia minha tese Les modes de production au Théâtre du Soleil à l’aune de la production théâtrale française depuis 1968 : une exception dans l’exception culturelle ?
Minha banca foi uma barbaridade ! Para os que não são do meio aconselho uma busca no google para compreender o tamanho da encrenca...Só tinha “fera”, confiram: Prof. Dr. Robert Abirached – Prof. Emérito da Université de Nanterre; Georges Banu, Prof. Dr. Sorbonne Nouvelle; Jean-Pierre Ryngaert – Prof. Dr. Sorbonne Nouvelle; Sábato Magaldi – Professor Emérito da ECA da Universidade de São Paulo e Emmanuel Wallon – Prof. Dr. de Nanterre. Outra banca assim vai ser impossível, até porque reunir esse grupo é apenas IMPOSSÍVEL...só numa bibliografia de referência! E vocês ainda podem dar uma olhadina na Salle Bourjac, puro luxo!

Fotos: Irène Kirsch e Sophie Préveyraud

Esqueci a tese...


Como consegui esquecer de postar a foto das minhas crianças...uma tese "en rose" como "la vie". Dois volumes, 4,5kg e 847 pgs de muito trabalho, muito suor e muito, muito amor...

Cada um deve buscar a universidade que merece, eu escolhi La Sorbonne!!!





Sorbonne...a simples menção deste nome, conhecido no mundo inteiro, evoca um dos mais altos lugares da inteligência, o lugar onde foram forjados a liberdade de pensar e o espírito crítico...assim Maurice Quénet, Reitor da Academia de Paris apresenta a Sorbonne...mas ela é muito mais do que isso. Como muitos de vocês devem saber, a Sorbonne deve seu nome ao capelão e confessor do rei da França, Robert de Sorbon, e sua história ao longo dos séculos esteve sempre tão intimamente ligado a da Université de Paris que ela acabou por se transformar em seu símbolo. Destruída e reconstruída tantas vezes, fechada pela Revolução em 1791, atelier de artistas em 1801, a Sorbonne volta a ocupar seu lugar no ensino universitário em 1821. No final do século XIX, a República Francesa fará a reconstrução definitiva que transformará a Sorbonne em um santuário do espírito, um lugar privilegiado do conhecimento.

Quis a vida que eu recebesse meu título de Doutora em Estudos Teatrais da Université de La Sorbonne Nouvelle no ano em que a Sorbonnona, como carinhosamente a chamo, completa 750 anos...e no final da cerimônia de defesa, após receber o grau de Doutor, foi impossível não pensar – e dizer aos presentes – que durante cinco anos e meio, a cada vez que entrava na minha escola pensava que ela era mais velha do que o Brasil, país de onde eu tinha vindo...e mais, lembrei que o caminho entre Belém e o Quartier Latin é muito longo e que não é todo dia que uma descedente dos Tembés é recebida como Doutora da Sorbonne...confesso que pensei no olhar mareado do meu pai, quando de nossa visita à universidade, a filha maluca, que escolheu o teatro por profissão, foi a única que deu a ele a alegria de um diploma de Doutor pela Sorbonne. Que me desculpem todos, e todas as outras universidades do mundo, algumas hoje até bem melhores do que a minha Sorbonnona, mas a Sorbonne tem o que nenhuma outra tem, história...uma história que faz dela um símbolo do conhecimento e da liberdade, aliás liberdade sem conhecimento é ilusão...

Vejam alguns dos números da Sorbonne e de sua biblioteca monumental:

35.551 estudantes nos diferentes campi da universidade
35 km de prateleiras
12.000 volumes em acesso livre
3 milhões de documentos entre os quais os periódicos
4.700 títulos de periódicos ainda editados (18.000 no total)
50.000 empréstimos por ano
300.000 documentos consultados “sur place”

Como a Sorbonne não é um museu, mas uma escola, as visitas são proibidas e devem ser agendadas na secretaria da escola, mas se vocês forem a Paris não deixem de visitá-la, de entrar, de sentir os oitos séculos de história que fazem dela um verdadeiro santuário do espírito...

Nas fotos: a capela, a entrada da rue de la Sorbonne, com meu pai na Cour d'Honneur e a minha carteirinha de estudante...todas as fotos são de minha autoria, atenção às cópias...

mercredi 14 novembre 2007

Paris, primeira metrópole do espetáculo mundial!



Ninguém mora cinco anos em Paris impunemente. Sobretudo quando a temporada vivida na Cidade Luz está diretamente relacionada ao estudo. Estudantes e pesquisadores em Paris são privilegiados, e mais ainda se a aréa de atuação é o teatro. Aí chega a ser covardia pois, segundo Emmanuel Wallon (o papa do assunto!), a Cidade Luz como capital da região Île-de-France é a primeira metrópole do espetáculo mundial pela variedade e pela oferta, com 259 teatros do setor público - sem contar as salas de concertos - e 156 teatros do setor privado, deixando para trás aglomerações como Londres ou Nova York, Shangai ou Bombaim, que dispõem de um bom número de salas mas um cardápio com escolhas em número reduzido.
Durante meu exílio mais do que voluntário, consagrei cinco anos anos e meio ao estudo e análise do modelo francês de produzir teatro, o que me levou a assistir a mais de 200 espetáculos...muita coisa boa, muita coisa ruim, alguma coisa excepcional, mas uma efervescência sem igual! Bem mais fácil produzir aqui que no Brasil, mas bem mais difícil de mostrar seu trabalho com o leque de opções...
Nas fotos euzinha tietando dois de meus atores favoritos, ela, Fanny Ardant, a grande, a abosluta, a necessária, que eu vi em Master Class – que Marília Pêra fez no Brasil e Callas vivida por Fanny é uma e por Marília deve ser outra – e em La bête dans la jungle, com ninguém menos que Gérard Depardieu, meu Deus único...na outra foto Fabrice Luchini, http://www.allocine.fr/personne/fichepersonne_gen_cpersonne=923.html passe nesse link para saber quem é Luchini...No cinema ele esteve absoluto vivendo Beaumarchais, o insolente e há poucos meses vivendo um fã de Johnny Halliday, imperdível... No teatro vibrei com suas “simples” leituras de textos de Paul Valéry, Roland Barthes, Arthur Rimbaud, Molière etc... c’est une bête de scène...

Uma mulher me trouxe à Paris!


É a mais pura verdade...O que me trouxe a Paris foi a admiração pela maior diretora de teatro do mundo, Ariane Mnouchkine, meu tema de tese foi o modelo de produção do Théâtre du Soleil, 847 páginas de uma declaração de amor, sem perder jamais a ternura e o senso crítico, afinal “c’était une thèse”...

Na foto Ariane, na sede do Théâtre du Soleil, a Cartoucherie de Vincennes, uma antiga fábrica de cartuchos de bala construída sob Napoleão III, no Bois de Vincennes, nos arredores de Paris, e desde agosto de 1970 sede dessa trupe sem igual que há pouco arrebatou pas mal de corações brasileiros...deles falarei e muito...afinal sou a única – “duela” (no espanhol lulês!) a quem doer – especialista em Soleil no Brasil...A foto foi tirada por Michèle Laurent, quem copiar dê ao menos o crédito, junto com Martine Franck – viúva de Henri Cartier-Bresso e uma das fundadoras da agência Magnum – as fotógrafas oficiais da companhia...

Um caso de amor!


Os que me conhecem sabem que fui a Paris pela primeira vez em 1994 e foi um “coup de foudre”, voltei ao Brasil decidida a mudar minha vida para ir estudar, isso mesmo, estudar, e morar nessa cidade...
Quase sete anos depois, no dia 22 de setembro de 2001, onze dias após a Torres de New York, eu chegava a capital do luxo, do requinte e do bom gosto...
Cheguei como bolsista do governo brasileiro, leia-se CAPES, para preparar um Mestrado e um Doutorado em Estudos Teatrais na Sorbonne – uma hora vou explicar o que é a Sorbonne para os que não ligam o nome a pessoa...morei exatos cinco anos e meio nessa cidade, onde nem tudo é perfeito, mas onde a perfeição passa perto...voltei! Coisas da vida...bolsista deve voltar ou reembolsar o que o país gastou com ele, a lei deveria valer para os políticos do país, imagine o reembolso que eles fariam...
Mas sou, definitivamente, 33% brasileira, 33% israelense e 34% parisiense, e navegando entre essas três facetas da minha personalidade eu toco meu barco...
Vou contar muito do que fiz, do que vi, do que aprendi, do que a cidade tem a oferecer, dos preconceitos de ambos os lados, da perda de tempo de quem vem para Paris e continua na alma morando no Brasil, o que aliás é uma perda de tempo sem fim não importa qual o destino que você escolha...minha receita para amar um país é simples: abra-se para ele e para o que ele te oferece de bom, o que ele oferece de ruim você joga na primeira lata de lixo...e faça o mesmo com aquilo que teu país de origem te oferece...misture o que é bom do que a vida te dá e faça um milk-shake do cacete...o resto bobagem...e cá para nós, se eu tiver que escolher entre simpatia e competência estejam certos, meus queridos, que ficarei com a competência, simpatia a gente compra, competência é para quem tem...
Na foto, euzinha, na “roue” da Place de la Concorde...que não é assim tão feia e que não fica lá o ano todo, é só uma força da Mairie de Paris, leia-se Bertrand Delanoë, aos “forains”...

Vamos falar de Paris...

Minhas queridas e meus queridos, de repente a data da viagem se aproxima e começo a ter vontade de falar de Paris, da minha Paris que é mais do que especial...como o teclado é parisiense a falta de acentos sera obrigatoria...espero que possamos nos divertir...