« Je donne mon avis non comme bon mais comme mien. » — Michel de Montaigne
lundi 11 janvier 2010
Meu teatro preferido...
dimanche 10 janvier 2010
Galette des rois...
Sábado à noite fui jantar na casa de Sylvie, Semih e Serena...velhos amigos, desde que Sylvie dirigia a Aliança Francesa de Floripa. E como estamos na época de comer a galette de rois levei uma para que pudéssemos "eleger nosso rei"...vejam como essa história começou no reino de Luís XIV. O Rei Sol da França, resolveu homenagear o dia da Epifania (dia da Manifestação dos 3 reis magos) com uma doce em formato de coroa (rosca) chamado gâteau des rois. Alguns poucos anos depois, fizeram uma torta redonda, recheada com creme de amêndoas que começou a se tornar mais popular que a rosca de frutas cristalizadas. Surgiu então a Galette des Rois.
A Galette se tornou a preferida de outro rei, o Luís XV. Conta a lenda que o cozinheiro, para surpreender e presentear o rei, resolve colocar uma jóia dentro da galette.
Foi uma festa. O rei e seus convidados adoraram! A idéia começou a ser difundida entre a aristrocracia francesa e, ao invés de jóia, colocavam uma fava de baunilha.
Os anos se passaram e a brincadeira foi se amadurecendo. Quem encontrasse a fava dentro da galette, seria rei por um dia. Em troca, compraria a galette do ano que vem.
Hoje, as Galletes des Rois são vendidas com bonecos dentro (com peças de porcelana, ferro ou plástico) e com coroas de papelão. Você encontra pedaços à venda até nas ruas de Paris.
Hoje não foi Rei foi uma Rainha, Serena...ano que vem ela compra a galette...e eu venho do Brasil para comer...
Adoro Paris sous la neige...
Jeanne Moreau e Amos Gitai, um belo encontro
Victoria Chaplin e Jean-Baptiste Thiérrée...
Se eles fossem apenas os pais do James eles já mereceriam muitos aplausos, mas eles são também os pais da Aurélia e além disso eles são dois IMENSOS artistas....palmas sem fim para essa dupla cuja história de amor é digna de um conto de fadas...
Cirque invisible, ou como cultivar o espírito da infância
Vi o Cirque invisible pela primeira num teatro na Dinamarca, e confesso que desde então ele ficou guardado na minha lista dos espetáculos inclassificáveis, lista a qual pertencem aqueles que normalmente me oferecem uma felicidade simples.
Logo compreendi que Jean-Baptiste Thiérrée e Victoria Chaplin são mestres de uma arte que transita entre o circo e o teatro. Na verdade, eles são os precursores de um movimento que se chama "novo circo francês".
Buscando informações sobre o casal encontrei uma fórmula mais ou menos assim para apresentá-los: "um homem + uma mulher = a um mágico + uma acrobata camaleoa = um coelho gigante + um dragão= uma cafeteira humana + um pelotão ciclista. Victoria Chaplin e Jean-Baptiste Thierrée se metamorfoseiam ao infinito. Nós esfregamos os olhos. Será que eles são dois ou dez? Estamos sonhando? Ele como um mágico palhaço, tirando de suas malas imagens incríveis, ela, mulher camaleoa, fazendo nascer de seus trajes extravagantes, um bestiário fantástico".
Para Odile Quirot, crítica do Nouvel Observateur e uma das minhas preferidas, Victoria e Jean-Baptiste "são apenas dois no palco, dois criadores de mundos. Ele, palhaço, ela dançarina acrobática e graciosa vestida em trajes fabulosos desenhados por ela mesma. Nas mãos dos dois, tudo fica mais leve, tudo se metamorfoseia. Até um coelho branco que Lewis Carroll não recusaria. Se o espírito da infância é um dom, eles o cultivam com alegria".
Segundo Jean-Baptiste em 30 anos eles produziram apenas três espetáculos: o Cirque Bonjour, o Cirque imaginaire por quinze anos e o Cirque Invisible desde 1990. Mas o que ele queria mesmo era ter feito apenas um e continuamente aperfeiçoá-lo, pois para ele "o espetáculo evolui sempre. Há gavetas que eliminamos ou que adicionamos de acordo com o país, dependendo dos humores ... É um trabalho que se relaciona com a alquimia: a busca da pedra filosofal. Mas uma pesquisa que não se leva a sério: não perdemos de vista que antes de tudo isso é um entretenimento".
Talvez resida aí o segredo, eles não se levam a sério. Nada na vida é mais chato do que gente que se leva a sério.
James Spencer Thiérrée, gênio é pouco...
James Thiérrée, o Chaplin do teatro no século XXI
Há quase três anos, o tempo passa, o tempo voa, escrevi aqui em Terra Magazine um artigo falando dos herdeiros de Charles Chaplin, herdeiros na arte e na vida http://terramagazine.terra.com.br/interna/0,,OI1340545-EI6581,00-Netos+e+herdeiros+da+arte+de+Charlie+Chaplin.html
Esse artigo me deixa muito prosa, fui a primeira pessoa no Brasil a escrever sobre os netos de Chaplin e segundo Daniele Hoover, responsável pela turnê brasileira de Aurélia Thiérrée em 2008 foi graças as minhas palavras que ela decidiu trazer Aurélia - e se Deus quiser em 2010 James - ao Brasil.
Mas que me perdoem Victoria e Aurélia, o gênio da família Chaplin hoje atende pelo nome de James Spencer Henry Edmond Marcel Thiérrée. Afirmo, sem medo de errar, que James Thiérrée será para o circo-teatro do século XXI o que Charles Chaplin foi para o cinema do século XX. Após vê-lo em cena Mikhail Baryshnikov afirmou: "Um gênio! Ninguém pode fazer o que Thiérrée faz".
James estreia em 1978, aos 5 anos de idade, no Cirque Bonjour, criado por seus pais Jean-Baptiste Thierrée e Victoria Chaplin. Desde cedo ele desenvolve talentos múltiplos, acrobacia, dança, trapézio, violino, línguas, tudo isso ao longo das turnês mundiais do Cirque imaginaire e depois do Cirque invisible, entre 1978 e 1994.
Em seguida James trabalha com Peter Greenaway em Prospero's Books e Robert Wilson em Mister Bojangles Memories. Sua formação de ator é feita em diversas escolas, entre elas o Piccolo Teatro de Milão e a Harvard Theatre School.
Entre 1994 e 2007, ele atua no teatro sob a direção de Carlos Santos e Beno Besson, e no cinema com Coline Serreau, Raoul Ruiz, Philippe de Broca, Robinson Savary, Antoine de Caunes, Laurent de Bartillat. Taloche, personagem principal do filme de Tony Gatlif, Liberté, é seu mais recente trabalho na telona.
Em cerca de 10 anos de carreira James Thièrrée criou 3 espetáculos (diversas vezes contemplados com o Prêmio Molière) que não cessam de encantar o público em todos os cantos do mundo: La Symphonie du hanneton, La Veillée des Abysses, Au revoir parapluie. Vi todos. Não sei qual é o meu preferido. Preparo-me agora para ver Raoul, no qual sozinho em cena, sem vídeo e sem efeitos especiais, James se comunica com os espectadores através de mímicas, dança e performances variadas, e ao qual a crítica não nega elogios.
Os espetáculos de James são criações impressionantemente impregnadas de magia, mesclando teatro, música, dança e artes do circo e essa mistura extasia o público que lota os 1100 lugares do Théâtre de la Ville em Paris, assim como há poucas semanas incendiou o Barbican em Londres.
Para James, Raoul, é o retrato de um ser humano "que não é um herói, mas poderia ser um rei, ou o vizinho que encontramos diariamente". Sozinho na sua torre, visitada por criaturas estranhas, James Thiérrée-Raoul conta sua viagem interior, se perde e se encontra em um ambiente em mudança permanente, no qual se movem grandes telas. James esbanja talento como diretor, ator, dançarino, músico e acrobata, e faz do público seu parceiro privilegiado, livre para interpretar imagens, metáforas e evocações propostas entre burlesco e emoção, virtuosismo e poesia.
Duas coisas me encantam particularmente em James Thierrée, além da genialidade e do talento, sua humildade que permite que o protagonista seja o espetáculo e não ele, e sua capacidade em explorar a imaginação do espectador através de gestos simples e delicados, coisas em extinção nesses tempos virtuais. Comecem uma campanha Queremos James Thiérrée no Brasil. Vocês não vão se arrepender. Vão mesmo me agradecer a dica.